Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Reinaldo do Pó, Elzo, um outro Reinaldo insignificante... tou aqui tentando me lembrar se tenho motivos pra pensar que esse lance de pegar jogador que já "brilhou" no Atlético - MG me empolga. Aliás, que tipo de brilho no Atlético esse ilustre desconhecido desse Lincoln teve por lá? Eu ia perguntar "ganhou o quê", mas no caso do preto e branco das alterosas, é covardia, a não ser que você aceite "um campeonato mineiro" como resposta.

Teve o Cléber e o Éder que deram certo, mais alguém?

Mas a solércia dos dirigentes do meu time me fascina, tiveram a manha de contratar um jogador pra uma posição que nós não estamos carentes... vai ser um ano longo, esse...

Pelo menos a convocação do Dunga mantém vivas as minhas esperanças de não passarmos das quartas!

postado por: Randall Ferreira Neto 10:37 PM Comments:


Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Do Proposta do Arsenal para o Neymar:

- Aproveita agora, porque lá na Europa não pode bater pênalti assim, viu?

Neymar, se fosse o Tio Randas:

- Como é que você sabe, cuzão, nunca jogou lá!

A não ser que forjar fax com proposta do Arsenal conte, né?

postado por: Randall Ferreira Neto 9:17 AM Comments:


Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Em ordem cronológica, minhas separações mais memoráveis, as favoritas, as cinco que eu levaria para uma ilha deserta:

1- Patrícia (1987)
2- Ludmilla (1991)
3- Andréia (1995)
4- Lina (1997)
5- Carolina (1998)

Essas foram as que doeram de verdade. Está vendo seu nome nesta lista, Laura? Acho até que você conseguiria entrar sorrateiramente, nas dez mais, mas não há lugar pra você nas cinco; esses lugares são reservados para aquele tipo de humilhação e sofrimento que você simplesmente não é capaz de provocar. Provavelmente isso está soando mais cruel do que deveria, mas o fato é que já passamos da idade de magoar um ao outro, e isso é uma coisa boa, não é ruim, de modo que não leve para o lado pessoal o fato de você não ter entrado na lista. Aqueles tempos se foram, boa viagem e fodam-se eles; a infelicidade realmente significava algo naquela época. Agora é só um saco, como ficar resfriado ou não ter dinheiro. Se você queria realmente me sacanear, deveria ter...

Em negrito, o início de "Alta Fidelidade", com a minha lista dos pés na bunda memoráveis. Durante muito tempo, relutei em falar neles. Agora deu vontade.

1- Patrícia (1987)

Nem foi assim, um "pé na bunda" clássico, pois quando rolou, já foi na fase "do que vier é lucro". E bota lucro nisso. Eu tinha 14 anos e acho, não estou bem certo disso, mas devia ter beijado no máximo umas 3 ou 4 na minha carreira futebolística. E desenvolvi, como se tornou comum no futuro (e já era meio comum então), uma paixonite platônica por essa mina quando ela pintou sem óculos e com um cabelo diferentão na volta das férias de julho.

Obviamente, tomei o cuidado de não desenvolver essa paixão platônica pela musa, ou por alguém extremamente inatingível, mas essa estratégia de prospect acabou se revelando um problema, pois a gente foi ficando próximo, nos tornando amigos, ambos tínhamos achado "Feliz Ano Velho" um livro incrível, éramos fanáticos por Legião Urbana - e contou altos pontos ao meu favor ter "Gatinhas e Gatões" e "A Garota de Rosa Shocking" gravados de algum Supercine.

E acho que foi um pouco por "culpa" desse filme que eu ousei mais do que deveria na nossa "formatura" de oitava série. Na verdade, era a formatura do Colegial e nós da oitava tínhamos convite pra "participar" também, fomos empoleirados na Brasília do Carlão até o Jaó e...

E aí eu vivi uma experiência inesquecível, ao som de "Quase Sem Querer". Achei que rolava tentar beijar a Patrícia e beijei. E o mais incrível é que ela me beijou de volta e a gente se beijou a noite toda, foi sensacional! Pena que ainda tinha uma prova pra gente fazer na semana seguinte, e eu simplesmente não sabia como agir. Acho que agi da pior maneira possível, quis "levar um papo" sobre o que rolou, meio que querendo saber "em que pé a gente tava", coisas assim... na verdade, fantasiava tardes e tardes de férias com uma "namorada", e queria resolver isso logo de uma vez. Fui falar com ela depois da prova e nem lembro da forma, o conteúdo foi o maior dos "não rola" do mundo. Ali, na porta do colégio, com todo mundo vendo e meio que sabendo do que se tratava...

Claro, passei as férias na maior fossa!!! Viajei com o meu pai pra Ilhéus e escrevi um monte de cartas pra ela (não mandei nenhuma), ouvindo "Quase Sem Querer" e lembrando da minha Formatura de Oitava Série. Eu, que tenho uma memória privilegiadíssima, não consigo me lembrar o que veio depois. Se a gente estudou na mesma classe, se nos tornamos amigos, se chegamos a conversar direito, nada! Só me lembro da festa de formatura e da sensação da cara vermelha e vontade de chorar na porta do colégio...

postado por: Randall Ferreira Neto 6:48 PM Comments:


Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Com dois anos, o Duda vai dar mais um rolê de avião, vai conhecer a cidade do pai dele, o outro braço da família. Eu vou pro casamento do Pescoço, que na falta de algum adjetivo melhor pra defini-lo, posso dizer sem medo de errar que é o meu irmão. A gente já brigou sem brigar algumas vezes (provavelmente por culpa minha em todas ocasiões), mas nem foi por causa disso que ele não esteve no meu casamento. Senti uma baita falta dele aqui. Naquele esquema caretérrimo norte americano, só podia ser ele o "best man" no meu casamento.

Lembro de quando a Laura conheceu esse outro braço da minha família, o lado goiano, falou que num determinado momento, estávamos em umas 6 pessoas discutindo ao mesmo tempo sobre a Guerra das Malvinas, cada um com uma opinião diferente... e ela nem sabia que tinha tido uma Guerra das Malvinas!

Tou indo felizão da vida ver o meu bróder casar, estou conseguindo manter uma assiduidade bacana com relação a casamento dos meus primos de Goiânia, mas esse eu não perderia por nada! Minha vó vai, enfim, conhecer o Duda, ela que ainda me chama de Duda e chama meu filho de Eduardo, tomara que ele reconheça nela a mãe que foi pra mim!

Vai ser foda voltar em Goiânia, porque lá em Goiânia tá faltando ELE, e a saudade dele tá doendo em mim faz bastante tempo...

postado por: Randall Ferreira Neto 6:05 PM Comments:


Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Arsenal x Man U, Corinthians x Palmeiras, Gre-Nal, Fla-Flu, foi um domingo e tanto pra quem gosta de futebol!

E nessa de "gostar de futebol", eu queria ter com o Palmeiras a mesma relação que rola com o Arsenal. Porque eu assisti os Gunners levando uma sova em casa, e consegui curtir o jogo! Óbvio que não aplaudi quando o Rooney espalhou os cacos da dignidade do Eboué pelo gramado (afinal de contas, não sou sueco!), mas consegui reconhecer que foi um jogaço, apesar da surra!

O que não deve ter rolado com os torcedores do Fluminense após o 5 x 3, pois uma vez eu vi o Goiás levar de 5 x 3 do Vila e achei um dos piores jogos da minha vida! O gol da virada (ou do empate) foi feito de antes do meio de campo, e eu achei aquele gol horrível!!!!

Mas o jogo de ontem do Palmeiras conseguiu ser ruim e ruim. Sacou? Foi um jogo ruim, e perder também foi ruim. Confesso que perder pro Corinthians não é tão ruim quanto perder pro São Paulo - talvez pelo fato de que a gente perca menos pra eles do que pra elas, ou porque os corintianos não são tão nojentos quanto os Bambis -, mas enche o saco do mesmo jeito. O jogo de ontem me encheu o saco por diversos motivos:

- Detestei a expulsão do Roberto Carlos. Não acho que ele tenha merecido, aos 6 minutos de jogo. Foi um carrinho cretino, como ele costuma dar desde que o mundo é mundo, e se ele nunca mais der por causa desse cartão vermelho, valeu a pena. Mas eu não acredito nisso, e no final das contas, foi só uma juizite que quase estragou o jogo.

- Não gosto quando o meu time joga na base do chuveirinho; principalmente quando ele usa esse curso sem ter dois especialistas para que a obsessão faça um mínimo sentido. No caso, o cara que cruza e o que cabeceia. Dá pra compreender um time que joga assim quando você tem Arce e Jardel, mas quando o Grêmio tinha Arce e Jardel, o chuveirinho era um recurso, não a arma principal. Nesse time do Palmeiras, temos gente que até acerta a maioria dos cruzamentos, mas ninguém que cabeceie...

- A falta que o Alexotan Xavier cobrou... parecia quando eu e o Pescoço brincávamos dele chutar bolas pra eu fazer pose ao defender! A bola foi tão devagar, mas tão devagar, que até o Rubinho Barrichelo teria chegado antes!

- Constatei, de forma definitiva e indelével, que nós não temos um time. Me sinto como na música da Legião "vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim pra sempre..." - essa mesmice ruim, o ruim e barato que não chega a lugar nenhum. A gente não pode querer ser campeão de absolutamente NADA com o Robert no comando do ataque, isso é fato. Ficamos sem o Vagner Love, o Ortigoza e o Inominado, mas com esse Robert não dá. E nem no banco, pois como bem lembrou o Helinho outro dia, era ruim quando o Benevan ficava no banco, pois ele quase sempre entrava...

Pelo menos, é ano de Copa do Mundo e existe a chance de tudo passar mais rápido, pois eu acho que vem bastante sofrimento pela frente.

postado por: Randall Ferreira Neto 6:11 PM Comments:


Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Eu conheci "O Apanhador no Campo de Centeio" através de "Feliz Ano Velho", e isso não deixa de ser uma coincidência interessante. Porque um me influenciou como escritor, o outro, não. Na verdade, de uns tempos pra cá me bate um certo cagaço do Marcelo Rubens Paiva ler esse tipo de coisa e ficar puto, mas é isso aí. Eu li "Feliz Ano Velho" aos 13, e reli tantas vezes que, aos 20, resolvi começar a escrever.

"O Apanhador No Campo de Centeio" me influenciou como leitor. Eu o vi citado no "Feliz Ano Velho" e fui direto na biblioteca do meu pai procurar. Não tinha. E o mais estranho, meu pai não o tinha lido. Deu trabalho pra conseguir encontrar, percorri todos os sebos de Goiânia e nada. Um dia, o carinha de uma livraria de Goiânia encomendou pra mim e foi o primeiro livro que eu comecei a reler no exato momento em que terminei de ler. Eu tinha 18 anos e achava a minha vida uma merda! Foi perfeito!

Mas eu queria ler livros como aquele, e não achava nada nem parecido. E numa época pré internet, nem imagino como seria possível "pesquisar" sobre autores ou histórias similares.

Nem me toquei que era o livro que o maluco que matou o John Lennon estava lendo. Tampouco saquei qual a possível conexão naquele filme do Mel Gibson. Não era ligado na "mística" do livro.

Na virada de 2002 pra 2003, eu reli pela putzgrilionésima vez e nem sei qual foi a contribuição pro meu surto no Retorno de Saturno, mas desde então, o livro me assusta um pouco. Vou reler.

Me incomodava bastante ver escrito, em mais de um lugar, por pessoas que não poderiam falar esse tipo de merda, que o Salinger ficou conhecido como o autor de um único livro, que fez imenso sucesso, e depois ficou recluso, sem nunca mais ter escrito nada. Li tudo o que pude dele, pelo menos do que foi traduzido aqui. Mas ainda acho que o melhor, disparado, é "O Apanhador". Uma história engraçada a esse respeito é que, logo que comecei a namorar a Laura, encontrei na estante da mãe dela um livro do Salinger: "Uma Agulha No Palheiro", fiquei loucão! E confesso, envergonhado, que demorei pelo menos umas 20 páginas pra descobrir que era "O Apanhador No Campo de Centeio" com o título com que foi publicado em Portugal...

Me incomodou muito também o barulho que fez um livro que uma mulher lançou, meio que falando da vida dela com o Salinger... isso me mostrou uma certa sordidez no ser humano, de se interessar por algo tão bizarro assim, pois parecia meio óbvio que o Salinger havia sido bem escrotão com essa mina. E eu fico pensando no mó dos "so what" do mundo, agora pouco eu vi um twitter de uma mina que disse que perdeu completamente o interesse no Salinger depois que leu o livro da tal Joice Maynard.

Como assim? O que seria "perder o interesse em Salinger"? Que tipo de interesse ela tinha (além do literário, ÓBVIO) e que acabou se perdendo só porque ele não era um maridão companheiro, a favor do diálogo e que ajudava a lavar a louça depois do jantar? Sei, levianérrimo esse meu comentário, até porque eu não sei absolutamente do que se trata no livro, do que ele de tão ruim fez pra mina que foi abandonada no campo de centeio, mas é que não consigo pensar em nada (ABSOLUTAMENTE NADA) que ele pudesse ter feito que me fizesse perder o interesse literário nele.

Mal comparando (muito mal comparando), eu perdi todo e qualquer interesse no Marcelo Camelo depois que ele cantou com a Sandy e a Ivete Sangalo. Faz sentido?

Fuck off!

Eu tinha tão pouco interesse no Salinger, que achei que ele já tinha morrido.

Ainda tenho esperança de que até o Duda chegar no Colegial, "O Apanhador No Campo de Centeio" vai fazer parte dos livros indicados pelos professores dele. Mas ainda que não seja, acho que ele vai ler de qualquer jeito, disso eu tenho certeza.

O Salinger escreveu o meu livro favorito. E por mais contraditório que seja, eu nunca senti vontade de conversar com ele...

postado por: Randall Ferreira Neto 6:30 PM Comments:


Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Fui na primeira reunião de pais na escolinha do Duda. Sim, meu filhinho vai passar pela experiência narrada nos primeiros versos de "O Reggae", ainda antes dos 3 anos de idade, não dá pra adiar o inevitável. Sobre ir ou não ir, usei a mesma conduta da época dos exames de ultrassom (fui em TODOS) e fui. Oito e meia da manhã de um sábado, mas tudo bem. Quando a Laura me comunicou dessa reunião, eu senti pelo tom de voz que a minha presença era... "importante".

E eu fui, porque uma das minhas facetas de anarquista ma non troppo me permite reconhecer algumas relações de poder, e a experiência me ensinou que, a partir do momento em que questionei e derrubei a pedradas a autoridade (primeiro) da minha mãe e (depois) do meu pai, meus relacionamentos com eles degringolaram. Então, eu não me importo que no momento a Laura se ache no papel de "macho alfa" da parada, se tem reunião (ainda que idiota), vamo lá.

Mas é óbvio que foi uma desagradável perda de tempo! Eu queria ir embora no trigésimo sexto gerúndio em menos de meia hora, mas a Laura cochichou ("ela não vai dar aula de português pro Duda!") e me lançou AQUELE olhar, mas até ela perdeu a paciência quando a professora ficou 20 minutos explicando a complexa sistemática do aniversário mensal dos aluninhos, algo que eu explanaria com a maior clareza e eficácia em 45 segundos.

De bacana, só o fato de que o Duda vai ser coleguinha de um filho do George Harrison, que demonstrava mais impaciência do que eu, doido pra fazer sua guitarra soltar gemidos gentis, e olhou pra minha cara em busca de solidariedade quando a professora falou, em tom grave e solene:

- Com febre, eu sou rigorosa, eu não espero chegar em 38!

Disse isso e mais não falou, nos fitando nos olhos com uma expressão séria e eu quase perguntei "você faz o quê, joga a criança numa tina de gelo"?

Aí entrou o Diretor. Putz, bicha! Quer dizer, leva o mó jeito e não o ajudou no viadômetro quando ele disse que já foi padre, porque esses "quase padres" ou "ex padres", quer dizer, qualquer pessoa que considerou como aceitável a ideia de celibato... na verdade, é o meu preconceito puro e simples, de já ir colando uma etiqueta de BICHONA em qualquer um que simplesmente tenha sido escoteiro, torce pro São Paulo, frequentou encontro de jovens em Igreja Católica, é fã do Senna, lê os livros do Harry Potter, gosta de sorvete de passas ao rum ou H2O de maçã...

Mas e daí? Quer dizer, não basta ter esse cérebro réptil que abriga um TFPzinho aqui dentro, o grave mesmo é fazer essa relação deplorável de que o diretorzão ex padre meio bicha é uma "ameaça" de pedofilia ao meu filhinho... isso me deixa mal, mal pra caralho! Porque demonstra o pior de todos os reaças, que é o hipócrita, o que posa de liberalzão e cabeça aberta "da porta da rua pra fora".

E eu ando de saco cheio de hipocrisia, tipo não dar refrigerante pro Duda e matar uma garrafa de coca cola (600ml) no almoço, pra ficar no exemplo mais prosaico.

Bom, amanhã o Duda vai pra escolinha, vai ser o primeiro de muitos dias dele de aula e aí é que eu quero ver como vai ser quando eu tiver que falar sobre conduta na escola, se vou conseguir esquecer do meu passado como aluno... acho que vai ser melhor deixar essa parte com a Laura.

postado por: Randall Ferreira Neto 6:26 PM Comments:


Domingo, Janeiro 24, 2010

Antes de mais nada, eu queria registrar que assistir uma partida do campeonato italiano é uma experiência desagradável e tediosa. Nem sempre foi assim, do meio pro fim da década de 80 dava pra perder duas horas nas manhãs de domingo com narração do Silvio Luiz, enquanto Careca & Maradona no Nápoli e os Holandeses do Milan tentavam provar que era possível JOGAR FUTEBOL ao invés de calccio (aquilo que eles praticam). Eu tenho pra mim que os italianos são todos Gentiles, praticando o antijogo e a carnificina, tendo que de vez em quando suportar a desfeita de nascer, entre eles, um Baggio, um Del Piero ou um Totti.

Mas enfim, fui assistir esse derbi de la madonnina, o clássico milanês entre Inter e Milan, só pra ver se algum milagre aconteceu e o Jogabonito Gaúcho saiu da condição de globbetrotter pra de jogador de futebol... porque é incrível, o cara faz 3 gols contra o Crac de Catalão da Itália e já sai todo mundo, Tostão e Armando Nogueira à frente, gritando que ele é o maior, o melhor, dá 8 sem tirar de dentro, e vem as palavras ARTE, POESIA, ALEGRIA e tantas outras. E ai do Dunga se não convocar o cara, tá bem louco? Ele fez 3 gols contra o poderosíssimo Siena! Pelas minhas contas, pro Ronaldo Gordo ser convocado, ele precisa fazer uns 50 gols até a Copa do Mundo, ganhar a Libertadores (por antecipação, se vira!), achar uma solução pro Haiti, promover a paz no Oriente Médio e curar uns dois ou três tipos de câncer.

E o Roberto Carlos... bom, preciso esclarecer, antes de mais nada, que acho o Roberto Carlos um otário! Mascarado, pernóstico, e nem é isso tudo que acha. Mas também não é o vilão que o Galvão Bueno queria que todo mundo acreditasse que ele era. Jogou mal a Copa de 2006? Sim, como TODO MUNDO. Mas não teve culpa no gol e o lance do meião foi uma das maiores maldades mau intencionadas e premeditadas que eu já vi. Mas o Ronaldo e o Roberto Carlos não fizeram uma Copa tão ruim quanto o Kaká e o Jogabonito Gaúcho. Esses dois não jogaram NADA! Menos que nada, comprometeram seriamente a Seleção, e tem as portas abertas, enquanto o Ronaldo lidera um índex do Dr. Ricardo Teixeira.

Mas enfim, fui lá ver o jogo e terminei tranquilo, tudo a mesma coisa. O Jogabonito Gaúcho continua sendo o Bosta que sempre foi, e que some na hora de ver quem tem mais garrafas vazias pra vender! Não sei como ele não é holandês! Não jogou nada, foi facilmente anulado pela marcação, e ainda perdeu um pênalti. Acho que agora tenho certeza que o Dunga vai convocá-lo, e com ele e o Kaká no time, vai ser muito divertido torcer contra, tou começando a achar que dá pra sonhar com uma eliminação na Primeira Fase! É só começar a torcer por uma contusão do Julio César...

postado por: Randall Ferreira Neto 10:34 PM Comments:


Sexta-feira, Janeiro 22, 2010

A primeira palavra que o Duda falou, que consta nos autos, nos dogmas, no pravda e na vodka, foi "Babo". E era a maneira como ele me chamava. Não vou além no significado dessa primazia, foi assim e pronto. De lá pra cá um monte de palavrinhas foi saindo da cabecinha dele, cada uma mais bonitinha que a outra. Guáfuva (guarda chuva), Bátaueve (Branca de Neve) e Pôponja (Bob Esponja) são as minhas favoritas até hoje!

Ontem, ele falou "Simone de Beuvoir". Sério, e a pronúncia foi quase perfeita, acho que ali tem todas as sílabas que ele fala direitinho, foi lindo! Alguém pode estar se perguntando porque diabos ele foi falar justo isso, mas é que a gente estava assistindo o "Adriana Partimpim", que canta essa música do Arnaldo Antunes:

Saiba

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você


A música é super bonitinha e ele adora esse show. Fica assistindo, volta numa ou noutra música, e essa é disparadamente a sua favorita. A primeira estrofe ele canta inteirinha, o pai babão aqui não se aguenta ao vê-lo falar no seu idioma próprio Einstein, Hitler, Bush e Saddam Hussein... depois, sai uma ou outra palavra, e nesse meio saiu com inesperada perfeição "Simone de Beauvoir"... quase comemorei na sala, e nas 327 vezes em que voltei a música, ele meio que se recusou a cantar de novo, a Laura quis saber de quem se trata, mas depois eu fiquei pensando que Hitler, Bush, Saddam e Fernandinho Beira Mar são figuras que me incomodam muito menos que Ivete Sangalo, Xuxa e todos os sertanejos universitários das Unibans da vida.

Digressão!

Escrever esse fato aqui no blog me lembrou do coroa, que falava pros outros que o filho dele de 7 anos lia Érico Veríssimo! Na verdade, isso não era propriamente uma mentira, pois ia pra todo o lado com "O Urso Com Música Na Barriga" embaixo do braço, livro escrito pelo pai do Luís Fernando. E sim, me parece uma versão um pouquinho menos escrota do "Meu filho passou no vestibular de Medicina na USP", mas eu já tou sentindo que muita coisa vai mudar nos meus paradigmas por causa do Duda.

Uma delas vai ser amanhã, pois o Azamba falou que vai fazer uma pipa pra ele e a gente vai soltar na Prefeitura. Ao invés de falar exatamente o que eu penso sobre essa fascinante e complexa atividade, eu simplesmente falei "Que massa, vamo aí!".

Acho que eu nunca quis tanto ser bom em alguma coisa como eu quero ser pai...

postado por: Randall Ferreira Neto 10:35 AM Comments:


Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

Já faz algum tempo que eu estava querendo falar sobre o que rolou na Uniban coma mina do vestido rosa, mas as coisas foram se sudecendo e ficando mais pitorescas a cada momento, que acabou passando um pouco a vontade. Mas a expulsão da mina, mesmo a universidade tendo voltado atrás... eu comentei com o Giba na época que o meu sonho de aposentadoria era ser o advogado dela na hora em que saiu o comunicado pra tudo quanto é jornal dizendo que ela seria expulsa!

E não quero ficar nas infindáveis falhas jurídicas no ato em si, nem tampouco na caretice dos "alunos" da distinta instituição, mas da BURRICE da coisa em si. O que EU faria? Bolsa integral pra mina e a promessa de apurar os responsáveis, suspenderia uns 3 ou 4 débeis mentais e tiraria o nome da Uniban da imprensa o mais rapidamente possível.

Mas olha só, dois parágrafos grandes só pra dizer que passou a vontade de escrever sobre o assunto... mas ao pensar sobre o que escrever, acabei me lembrando de um episódio em 98, na Sala da OAB em Goiânia, quando eu e um amigo tomávamos café:

- Tá tendo um simpósio lá no Tribunal do Júri, vamos dar uma olhada?
- Ah cara, nem vou. É simpósio da Anhanguera e se alguém me ver lá, podem achar que eu me formei na Anhanguera...

Nisso, uma tiazinha se aproximou de mim e disse, entre bravinha e sentida:

- EU me formei na Anhanguera, viu?
- Não fica assim não, se tivesse estudado um pouquinho mais, teria passado na Católica...

Preconceito? Olha, em Goiânia, na época em que eu estudei, tinham três faculdades de Direito: A Federal, a Católica e a Anhanguera. E rolava aquele papinho escroto de que a Católica era melhor que a Federal, mas quem passava nas duas, ESCOLHIA estudar na Federal. Sim, na Federal era de graça, mas normalmente as pessoas que passavam lá, pertenciam à turma do "dinheiro não é problema", e eu penso que se a Católica fosse melhor DE VERDADE, não seriam 300 reais que separariam aquelas jovens mentes da fonte do saber que a Católica se dizia ser.

Enfim, é aquela velha história de ficar discutindo qual carnaval é melhor, se o do Rio ou o da Bahia, sendo que qualquer um dos dois é infinitamente melhor que o de São Paulo - de onde normalmente vem esse tipo de discussão idiota. E nesse caso, o "carnaval de São Paulo" era a Anhanguera. Era ruim! Muito ruim. Ninguém prestava vestibular na Anhanguera pra Direito logo depois de sair do terceiro colegial. Nem no primeiro ano de cursinho. O que normalmente ocorria é que você perdia contato com aquele colega da escola e, alguns anos depois, encontrava com ele e descobria que ele estava fazendo Direito na Anhanguera - e aí, vinha todo um rosário de explicações, tais como, mais não limitados a:

- Conheço um monte de juiz e promotor que se formou na Anhanguera.
- Pra fazer concurso, o que importa é o diploma, e quanto antes eu pegar, melhor.
- O primo do cunhado do amigo daquele cara que chupava jaboticaba na chácara do meu avô tem um tio que se formou na Anhanguera e hoje é um advogado que ganha a maior grana!

E assim, sucessivamente. E devo dizer que os argumentos não faltam com a verdade, existem juízes e advogados bem sucedidos que se formaram lá, e o raciocínio do Concurso é certíssimo (apesar de que, se você não conseguiu entrar NEM na Católica, o que te faz pensar que passará num concurso pra Juiz? Deixa pra lá). Porém, sempre foi um motivo de "vergonha" estudar na Anhanguera, porque se existia a disputinha besta entre Católica e Federal, era óbvio que só entrava na Anhanguera quem não conseguia entrar em nenhuma das duas.

Tenho um pouco de saudade desse tempo, sabia? 3 Faculdades de Direito em Goiânia, sendo que uma representava a escumalha, me parece de bom tamanho pra cidade. Existia aí um nexo de causalidade entre estudar e entrar numa universidade, algo que, convenhamos, hoje em dia, não existe. Qualquer um pode fazer um curso de Direito. Se isso é bom ou ruim? Fuck off. Mas eu sigo achando que na Carteirinha da OAB do cara deveria constar a faculdade onde ele estudou. Isso não prova absolutamente nada, tem muito juiz que estudou na Unip e bla bla bla, mas será que o cara, sabendo que ia carregar pra sempre esse "carimbo" de uma universidade lixo, iria estudar lá mesmo assim? Ou iria tentar estudar um pouquinho mais pra entrar numa faculdade decente?

Putz, faculdade decente... será que existe isso? Outro dia eu entrei na Comunidade da Atlética no Orkut e vi que a Católica virou PUC e tinha um monte de gente já "comemorando", como se isso fosse uma vitória?!?!?! Juro, se eu encontrar algum amigo que se formou comigo dizendo que estudou na PUC, dou uns cascudos! À PUC que pariu, pois essas pessoas acham que alguma coisa em suas vidas vai melhorar porque a escola onde eles estudaram deixou de se chamar UCG e passou a se chamar PUC. É muito pra minha cabeça...

Algumas das pessoas mais brilhantes do meu círculo de amizades não tem nada do seu brilhantismo ligado ao que aprendeu numa universidade. Eu lembro do afinco com que o Paulo F fazia a sua faculdade, e acho isso muito legal, mas nada do que faz dele o que é hoje, tem a ver com o conteúdo acadêmico. E ele é só um exemplo, existem vários outros. O brilhantismo do Giba tem a ver com a faculdade que fez, mas o cara foi brilhante e conseguiu "se fazer" na vida catando garrafa velha, vai falar que aprendeu a ser brilhante numa faculdade de Direito de quinta em Sorocaba?

Li um texto do Forasta outro dia em que ele, aparentemente, pregava o fim das universidades. Não necessariamente, mas algo assim: uma pessoa pode ter acesso ao conteúdo do MIT gratuitamente na internet e praticamente "se formar" em um curso (ou degrree, como eles chamam) sem gastar um tostão. Por outro lado, para se formar "de verdade" em um desses "degrees", ele teria que, além de se mudar pra Boston e passar por uma peneira insana, gastar algo em torno de 200 mil dólares.

"Ah, o MIT vai desaparecer, então"? Não, gênio, o MIT vai resistir para todo o eterno sempre, assim como Harvard, Yale, Princeton, Oxford, Cambridge e assim por diante, até chegar nas nossas "Federais" ou, no mesmo diapasão, uma FGV da vida. Porque se formar em algumas Universidades significa um pouco mais do que um simples diploma.

Porém, porque alguém gastaria, numa conta rápida (700 x 12 x 4), R$ 35.000,00 pra pegar um diploma em Turismo na Uniban?

Sim, algumas ofertas de emprego estampam lá "Nível Superior" como uma das exigências para o cargo pretendido, porém, quantos empregos que precisam de alguém de Nível Superior ESCOLHERIAM alguém que se formou na Uniban, Unip, Uniwherever? A não ser que só aparecessem pessoas formadas nessas faculdades, mas aí seria o caso de verificar o que existe de errado com a minha empresa, certo?

Se eu tivesse estudado um pouco mais, teria entrado na Federal. Se eu tivesse me esforçado DE VERDADE, teria entrado na USP e me virado pra morar em São Paulo. Uma hora a gente tem que aprender, nem que seja aos 36 anos.

Algum tempo livre disponível, nenhum sono num sábado a noite, um blog, poucos leitores e um post excessiva e irritantemente longo. Mas uma hora a gente tem que aprender! Definitivamente!

postado por: Randall Ferreira Neto 6:30 PM Comments:


Sábado, Janeiro 16, 2010

Puta saudade... depois de um ano inteiro sem escrever nada (a nível de livro, enquando pessoa, se é que você me entende, tale coisa), desenterrei esse texto aqui que um broder que trampou comigo escreveu no Boletim Interno sobre o Lançamento do "Não Cai do Céu, Daniel":

"Já ouvi várias pessoas questionando ou tentando explicar as vantagens e desvantagens de trabalhar na Central, mas o fato é que, independente da história ou razão que leva cada um de nós a pilotar diariamente nossos computadores e telefones no escritório, um dos aspectos de motivação apontados por 100% das pessoas que trabalham aqui é o convívio diário com os diversos - e por que não dizer exóticos - personagens que formam a nossa galeria de funcionários.

Entre esses personagens, é impossível não lembrar do Randall, provavelmente o único advogado na face da Terra que trabalha de All Star e camisa por fora da calça. Ouvir suas análises a respeito de comportamento, personalidades, eventos, cinema, teatro e música sempre despertam nossa atenção e bom humor, seja pelo extremismo xiita de suas avaliações ou pela ingenuidade quase infantil de sua crença em um mundo dominado pela "brodagem", bom senso e bom humor.

É este seu coração adolescente que o Randall costuma retratar em seus livros, cercados de personagens emocionais, eufóricos, inconformados, a ponto de, não raro, nos fazer questionar se não estamos lendo a própria biografia do autor. É quase isso. Randall usa suas histórias e personagens para falar sobre as coisas que gosta: música, arte, comportamento humano e até mesmo futebol...

Em meio a uma história ágil e bem humorada, Randall dá dicas de músicas que poderiam compor a trilha sonora de sua vida e coloca na boca dos seus personagens, frases que qualquer um de nós adoraria ter dito na vida real, se passasse por situações semelhantes - se é que já não disse ou pensou de verdade.

Em algum momento, você vai se questionar se aquela cena não nasceu de alguma história contada - por quem mesmo? - depois do expediente, em um happy hour no Barthô, após algumas cervejas na promoção de sexta feira. A identificação com o humor ácido e o senso crítico dos seus personagens é imediata e fica quase impossível parar de ler antes de chegar ao final da história. Quem leu "Além das Portas" ou "Clichê de Verão" sabe do que estamos falando.

É nesse clima que o nosso lawyer (porque é impossível chamar uma pessoa fashion como o Tio Randas de "advogado" simplesmente) lançará em São Paulo seu próximo livro: "Não Cai do Céu, Daniel!"

Se você não estiver na cidade e não puder comparecer a esse momento "Jorge Horácio" do nosso amigo, a gente vai compreender, mas se realmente quiser fazer parte das rodas de conversa mais inteligentes e animadas do Time Body Systems em nossos próximos encontros, é bom você entrar em contato com ele para saber como adquirir o livro e começar a leitura o mais rápido possível!

Pelo que nossos repórteres e papparazzi de plantão puderam apurar até o momento, a história do rapaz que acorda num sábado a tarde para ir ao banheiro e descobre, acidentalmente, que sua mulher tem um amante, promete momentos de emoção, reflexão e muito bom humor!"

postado por: Randall Ferreira Neto 11:26 PM Comments:


Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Eu tava lendo o blog do Marião agora e pela enésima vez me perguntei: "Eu deveria ter reagido"?

Em setembro de 1990 eu tomei um tiro na perna, depois de um assalto. Tomei o tiro porque eu reagi, obviamente, mas por quê? Bom, na época eu falei que os caras quiseram comer a minha bunda, não tive muita coragem de contar a real. E para que você controle as risadas, quero que conste nos autos que em 90 eu tava bem mais magro, usava calça 42, não era versão humana do Jabba The Hutt. Então, por que agir como - segundo as palavras do babaca da Vejinha - 9 entre 10 especialistas recomendam que a gente não aja? Bom, eu tinha tido uma briga horrível com o meu pai naquele dia. Acho que uma das piores, mas agora me foge o motivo, sei que tinha a ver com estar terminando o colegial dando a ele a certeza de que eu jamais seria bosta nenhuma na vida e eu devo ter respondido que ser melhor que ele não daria muito trabalho, daí a porrada comeu porque... bom, o Collor já tinha fodido a vida dele de verde e amarelo, mas o cara se esforçava do jeito dele pra me pagar a escola mais cara e um cursinho de noite e era esse tipo de papo que tinha que aguentar. Devia ser foda. Deus me livre de ter um filho como eu fui.

Saí da loja dele e fui pro trampo de um amigo, torcar uma ideia. Falar, numa boa, sobre suicídio. Ele já tinha tentado se matar com uns comprimidos e eu acho que aquilo pareceu uma pesquisa de campo, já que falar com os bem sucedidos não ia rolar. Acabamos tomando uma cerveja. Várias, na verdade. E um pouco de pinga, a gente era muito duro e ficar bêbado era o que importava. Não cheguei a ficar bêbado, mas quase. Resolvi ir para a casa da minha vó, que não era muito longe de onde eu tava na caminhada.

Quase na esquina da avenida onde minha vó mora até hoje, dois caras de moto me enquadraram. "Relógio, carteira, não tem um centavo na carteira, me dá o tênis!".

Eu tava de saco cheio! Tinha passado as férias na casa da minha tia aqui em Sorocaba e uns dias na praia, onde fui assaltado duas vezes. Duas! Numa delas, levaram um relógio que o meu avô tinha me dado. Tava com fama de ser uma espécie de vacilão serial, que os bandidos olham e vão na boa pra assaltar. E aquele tênis tinha menos de um mês, um Reebok zerado, resultado dos presentes de aniversário da minha mãe, minha vó e algumas sobras do meu salário na loja do coroa. E os caras tavam numa XL, não era a CG oficial dos bandidos. Um deles usava óculos, lembro até hoje, aquilo tirou um pouco da credibilidade dos caras, tanto que falei:

- Não vou dar o tênis não, cara... o tênis não!

O cara que tava dirigindo era o que estava com o revólver, ou o cabo do revólver, ou um revólver de brinquedo, sei lá. O garupa desceu putão falando que ia arrancar o tênis na marra, me deu uma gravata e nunca foi tão fácil jogar um cara no chão, não me lembro se usei um ippon sioi ou oshi guruma, sei que numa fração de segundos eu tava em cima dele aplicando um estrangulamento e dessa sensação eu me lembro e não gosto: eu ia matar o cara! Eu queria matar o cara, eu tava gostando desse lance de matar o cara! Aí eu ouvi o barulho e soltei o cara! Não pelo barulho, mas pela dor. E o que é mais estranho, não me lembro onde doía, daí o medo de saber onde o tiro tinha pego! Mas doía e eu tava muito assustado. Lembro de ouvir o barulho da moto se afastando, diminuindo e só me levantei quando já não o escutava mais. Me levante e aí doeu pra valer, o tiro foi na perna direita! Eu via o prédio da minha vó, mas não conseguia chegar lá. Cheguei e parece que essa caminhada fez mais estrago na minha perna do que o tiro em si. Calibre 22, acredita? O cara de óculos era realmente um "correria" bem chinfrin.

Aí eu pensei que ia morrer. Quase todo mundo que leva tiro, morre. Olhava pra minha perna e não tinha sangue, estranho. Mas o sangue tava lá atrás, onde a bala entrou. Lembrei de histórias de uma tal de femural, um amigo de não sei quem morreu com tiro na perna porque a bala pegou a femural. A minha passou perto, pelo que o médico falou. Mas já em outubro eu tava no gol da minha classe sendo campeão de futebol de areia, sequela zero. Física, pelo menos. Porque dormir era foda. Sair na rua depois foi bem estranho, também. As piadinhas sobre "E aí, Randall, deu a bunda ou morreu? Morreu, né? Hahahha..." me enchiam o saco, mas eu não queria dar explicação sobre não dar o tênis. O meu pai voltou a falar comigo, mas a gente nunca conversou sobre o quebra pau daquele dia.

Eu nunca vou conseguir responder se deveria ou não ter reagido. Porque a vida da gente não dá pause e depois gira em câmera lenta enquanto a gente decide o que fazer. Tem dias em que você sai na mão com seu pai, toma umas a mais e não quer entregar um tênis. É, eu tive muitos dias na minha vida em que preferia morrer. Aquele dia de setembro foi um desses, só isso. E eu saí vivo de todos, parece que esse lance de morrer ainda não é pra mim. Se eu não tivesse tomado o tiro, teria matado aquele cara, e sei lá que tipo de aborrecimento jurídico teria, mas naquele dia, ter tomado a porra do tiro de 22 acabou sendo algo como a melhor coisa que poderia me acontecer. A vida não era das mais agradáveis naquela época, disso eu me lembro bem.

Depois disso, eu nunca mais fui assaltado e parei de reagir.

postado por: Randall Ferreira Neto 4:52 PM Comments:


Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

2009 foi assim meio 1933, saca? Um ano estranho, beeeeeem esquisito. Comecei dando esporro no meu pai por se atrasar pra ir no almoço do Giba pra enterrar os ossos do reveillón, ameacei largar ele aqui, depois pegou uma carona com o irmão da Laura e quando chegou lá, nenhum sinal de ter ficado indignado ou coisa que o valha. No fim do dia, levou um tombo e foi embora no dia seguinte com dor nas costas. Ele gostou do tempo que passou aqui com a gente, comentou com alguns amigos dele. Bom, o ano termina, e acho que isso é o que de melhor aconteceu em 2009, ele acabou! Teve muita coisa legal também. Teve? Sim, pequenas coisas bacanas, mas no geral, foi pesado.

Eu não sou mais o menino idealista de 16 anos que perdeu um pouco de fé na humanidade pelo fato do Collor ter sido eleito e segurou uma lágrima quando o Muro de Berlim caiu. Nem sou o advogado "promissor" de 26 anos que passou um reveillón na casa da namorada em Sorocaba, sonhando que "um dia ainda ia embora de Goiânia"! 10, 20 anos... coincidência ter passado aqui em Sorocaba os reveillóns que terminam em "9" - se bobear, posso ter passado 79 também, mas não faço ideia! Hoje, aos 36, tem muita coisa passando pela minha cabeça, mudanças drásticas e definitivas - porque não dizer, inadiáveis! Pela primeira vez em sei lá quantos anos, joguei na Mega Sena e fico fazendo planos para o que fazer com o naco desses 145 milhões que me couber.

Desde que comecei a escrever, 2009 foi o primeiro ano em que não escrevi uma única linha sequer, nem mesmo os "tapas" que preciso dar no Pizza Fria se algum dia quiser fazer algo com ele. Li muito pouco, vi pouquíssimos filmes, dormi pouco, fiquei pouco com a minha família, vi pouco os meus poucos amigos, 2009 foi um ano definitivamente "pouco". MUITO, só trabalho, trabalhei como nunca em 2009, talvez por isso estou curtindo tanto essas férias. Acho que fazia muito tempo em que eu não era tão feliz. Ou FELIZ. Só isso. Ando feliz. A não ser com os problemas que não dão pra resolver, mas aí é coisa pra 2010! Preciso ver o Giba e bater um papo estipo "Tarde em Itapoã" ou aquela música do Aldir Blanc que fica muito legal com o MPB 4, "Amigo é Pra Essas Coisas". Reatei a minha amizade com o Mandril, isso foi muito bom. A Laura disse que o Giba é o meu único amigo com quem eu nunca briguei. Sim, o Giba é ÚNICO. Um 2009 também pra não deixar muita saudade pro Marião, apesar de que só ele pra fazer o tal balanço de perdas e danos, a boa notícia é que ele tá bem, isso me conforta bastante. O mundo ficaria ainda mais insuportável sem o Mário.

O Duda não dorme mais em berço, transformamos em caminha e colocamos uma grade, agora ele vai dormir sozinho, sai da nossa cama e dá uns passinhos trôpegos pra sua caminha, antes de dormir de lado, igualzinho à Laura, aquela boquinha linda entreaberta... estar com a mesma mulher de 10 anos atrás é o indicador de alguma coisa, não sei direito o quê. Mas é bom.

Como se fosse uma cena de filme, a Laura tá descendo as escadas, linda, já pronta para a nossa prosaica ceia de ano novo, de mãos dadas com o Duda, ainda mais lindo que ela, de roupinha nova e já meio que sacando que é dia de festa! Aniversário, Natal, e agora essa outra festa que ele ainda não entende direito, é muita festa pra ele. Ele, que é a melhor coisa que me aconteceu, vai fazer de 2010 um ano melhor pra mim. Porque as coisas por aqui, "nas internas", não andam nada bem.

Obrigado por mais esse ano frequentando a sala de estar das minhas egotrips e um 2010 afudê pra todos, principalmente para o Palmeiras, que consegue estar internamente pior que eu!

postado por: Randall Ferreira Neto 8:36 PM Comments:


Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Meu pai gostava de inventar umas coisas... inofensivas, só de zoeira, mesmo. Pra dar um exemplo, eu poderia dizer que se algum dia o Duda me perguntar porque existe o Oscar de Ator Coadjuvante, vou dizer que é por causa do Adílio. Era esse tipo de mentirinha...

Já escrevi aqui que acho que o Morgan Freeman é o Adílio, variando de Zico com o Robert Redford, o Clint Eastwood, Tim Robbins. Existe digressão no início? Sei lá, mas no sábado passou o Flamengo x Santos no "Jogos Para Sempre" e eu sou fã desse programa, mesmo repetindo que faria melhor - da mesma forma como acho que o PVC tinha que me contratar pro "Loucos por Futebol".

Aquele Flamengo x Santos foi antológico pra mim. Lembro bem da decisão de 80, da Libertadores e Mundial de 81, das finais sofridas contra o Grêmio em 82, mas o Campeonato de 83 foi o primeiro que eu acredito ter VIVENCIADO de verdade. E não só pelo Flamengo, mas principalmente pelo Goiás, que conseguiu se classificar para as quartas de finais num grupo com Flamengo, Guarani e Corinthians. Quando penso que isso significou a perda da melhor chance de título brasileiro da Democracia, QUASE me questiono se valeu realmente a pena, mas basta lembrar da arrancada do Luvanor no Brinco de Ouro da Princesa pra fazer o segundo gol e eu tenho certeza que foi o máximo nos classificarmos pra pegar o Santos nas quartas!!!!! Aí, empatamos sem gols no Serra e arrancamos um heroico 2 x 2 no Morbumbi, que mesmo dando a classificação ao Peixe, nos deixou com um sentimento de dever cumprido e mais do que isso, a certeza que éramos muito maiores que o Vila Nova!

Aí o Flamengo teve mais trabalho do que eu achava na semi final contra o Atlético Paranaense, o Santos penou um pouquinho contra o Galo e esses dois times chegaram na final. A primeira questão que surgiu na minha mente foi saber pra quem o meu pai torceria, pois a lembrança dele me azucrinando em 80 era desagradável demais, e ele fez questão de deixar claro que torceria pro time de Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, bla bla bla bla... ia dar merda! Como ele poderia ganhar do Santos que tirara o Goiás? E ainda tinha o Serginho Chulapa, memória muito recente ainda das bobagens que fizera na Copa de 82 e ainda era muito novo pra entender que ele não teve culpa e sim o Telê. Mas o resto do time!!!! Lino, João Paulo, Pita, jogava fácil e bonito, 2 x 1 no primeiro jogo e bastava um empate no segundo. Derrota por um gol de diferença levava o jogo para a prorrogação.

Na casa da minha vó, domingo, lembro perfeitamente! E agora me dou conta que, de todo o público presente, restou só o meu tio caçula e eu. Meu pai, meu tio Penha e meu avô já saíram fora (ironia, os dois filhos com quem o meu avô tinha mais "dificuldades"). Todos os que já morreram torcendo para o Santos. Meu avô, por puro espírito de porco, o Penha porque era Fluminense. Meu tio caçula, flamenguista e Ziquista fanático! O empate era do Santos, mas com menos de um minuto, Zico 1 x 0! O Zico das decisões, do Maraca, do Mengo, 1 x 0 e festa na sala, até o meu avô se antecipar ao meu pai e me mandar um "CALA A BOCA"!

O Zico fez 1 x 0, mas foi O JOGO DO ADÍLIO! O Leandro fez 2 x 0 de cabeça, e era o meu jogador favorito naquele time, a minha camisa do Flamengo branca, igual a do mundial, era a 2, por causa dele. Mas só dava Adílio, roubando bolas, lançando, tabelando... era um Flamengo diferente daquele que eu havia decorado. O Andrade não jogou, e eu não lembro porque, ele tava machucado? Com a 7 era o Helder (ou o Victor, e o Helder usava a 6), o Baltazar vivia uma fase horrível com a 9 e o Júlio César jogava com a 11. Não o Uri Geller, um loirinho, de Goiânia, que tempos depois jogava pelada com a mesma turma de uma empreiteira que eu trabalhava, segundas feiras à noite, futebol de areia, e eu lá defendendo bolas e levando gols do 11 do Flamengo de 83!!! Curioso que eu lembro dele nesse time de 83 e depois, nunca mais! Em lugar nenhum. Mas ainda tinha os maiores laterais do mundo, o Grande Zico e ele, o Adílio!

O que me deixou mais feliz nesse programa foi a declaração do próprio, dizendo que a partida sensacional que ele fez, deve ao Zico, que passou o jogo todo dizendo onde deveria se posicionar, onde ir, onde tocar, bacana a postura dele. Recentemente, pensei no Tita, que passou a usar a 10 depois que o Zico foi vendido e na despedida do Raul, que o Zico veio jogar, disse para a imprensa: "A camisa 10 é minha!!!!". Quando perguntaram ao Zico sobre a declaração do Tita, ele simplesmente disse que tinha vindo homenagear um amigo e não disputar posição. E pra constar, o Zico jogou com a 10. Porque era o Zico. Nem todo mundo nasce pra ser Zico, tem uns Titas que a gente encontra na vida que nunca vai ser Zico e não se contenta em ser Tita. Mas o Adílio sabia que era apenas um Adílio naquele time, e que Adílio!

Curioso mesmo foi que comentei com o Azamba antes de passar o gol que o que mais me marcou, com todo mundo fazendo pressão para o Santos empatar, foi como o Galvão narrou:

- Gooooooooooool DO TÍTULOOOOOOOOOOOOO!!!!!!

Acho que foi a primeira vez que ouvi, e sempre torcia para algum time meu fazer um gol nessas condições, pra poder berrar assim. Mesmo na semi final do ano passado, quando o Léo Lima fez o segundo gol nos bambis e eu ganhei a minha aposta do Green, fui pro meio da chuva na edícula e berrei "gol do título", mesmo não sendo. É importante reforçar o "do título" na narração, eu fico imaginando que você, que leu até aqui, já deve estar me achando completamente maluco, mas pouco importa, o Fefas também me disse que esse "gol do título" marcou ele, é sempre bacana encontrar alguém com neuroses compatíveis.

Poucas coisas tem a importância histórica na minha vida como o Flamengo dos anos 80! Um salve para Andrade, Adílio e Zico e as obras de arte que produziram no solo sagrado do Maracanã! Aliás, na estátua do Zico deve ter uma sombra dos dois ali do lado, que poucos vão conseguir enxergar!

postado por: Randall Ferreira Neto 9:05 PM Comments:


Domingo, Dezembro 27, 2009

Post requentado, mas muito do meu agrado:

Com relação ao Post logo abaixo, acho que preciso fazer uma kinda defesa da "Classe" masculina e, vá lá, do próprio Ross em si, pois sempre defendi aspectos técnicos que devem ser levados em consideração. Por exemplo? Esse eufemisno feminino de "dar um tempo". Isso é papo de mulher que já tá de olho em outro cara que provavelmente anda em cima, aí lança essa pra viver esse affair sem perder totalmente de vista o cara que já tem e com quem já se acostumou com as idiossincrasias e cujas neuroses caminham para a compatibilidade.

Isso aquelas com um mínimo de resquício de caráter, pois o mais comum é contar com a sorte e viver o affair sem pedir tempo porra nenhuma...

Mas por quê a Rachel pede o tempo? Porque o Ross tem ciúme de um cara que anda dando em cima dela no trampo. A Rachel diz que o ciúme é infundado, mas horas depois de terminar com o Ross, ela fica com quem? Com quem? Queeeeeeem? O Maaaaaaaark, exatamente o cara de quem o Ross tinha ciúme! Mulherzismo Canalha em seu grau máximo! E outra: tecnicamente, ele não tinha mais vínculo com ela, ELA decidiu que não queria mais o Ross! Se arrependeu depois? Que pena, mas nesse ínterim aconteceram umas coisinhas bem interessantes, basicamente a fila andou...

E faltou coaching pro Ross, claro! Que "We were on a break" o caralho, o papo tinha que ser outro:

- Fiquei mesmo! Você me mandou embora, falou absurdos, ESTAVA DE ROLO COM O MARK sim, que eu sei! Comi a mina do Xerox, tava bebaço, nem lembro direito, mas acho que foi bom, até onde um lance dessa natureza, nessas circunstâncias, pode ser bom. Dá pra conviver com isso ou vai ficar jogando na cara?

Ou então, naquelas de preservar o saco de eventuais, sucessivas e frequentes encheções:

- Verdade, eu fiz merda. Desculpa, eu tou errado. Erradaço, tão errado quanto é possível alguém estar. Pisei na bola, concordo com você. Acabou o assunto, agora? Deu? Tira a roupa, let´s move on...

Mas o "We were on a break" vai ser a razão do quarto divórcio na carreira do Rapaz dos Dinossauros, quer apostar?

postado por: Randall Ferreira Neto 12:32 AM Comments:




Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre outros.

Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo, casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester. Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado e quer ser escritor quando crescer.

Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel. Atualmente, tenta finalizar seu quarto romance, Pizza Fria.

Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida está sendo escrita pelo Nick Hornby.

Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as variações permitidas em lei.










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